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Grupo SBF registra lucro líquido de R$ 74 milhões no primeiro trimestre de 2026, mas enfrenta expansão da dívida e consumo agressivo de caixa

Redação
11 de maio de 2026 às 21:27
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Grupo SBF registra lucro líquido de R$ 74 milhões no primeiro trimestre de 2026, mas enfrenta expansão da dívida e consumo agressivo de caixa

Foto: Redação Central

Evolução financeira positiva em meio a desafios operacionais

A controladora da Centauro e da Fisia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um lucro líquido de R$ 74,2 milhões, representando um crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período de 2025. Os números, divulgados nesta segunda-feira (11), refletem uma expansão de 14,9% na receita líquida, que atingiu R$ 1,79 bilhão, enquanto a margem bruta avançou 1,1 ponto percentual, alcançando 50,8%. Segundo a empresa, a performance foi impulsionada pelo desempenho das duas principais unidades de negócios: a Centauro, com receita líquida de R$ 930,6 milhões (+13,3% a/a), e a Fisia, que registrou expansão de 26,1%, totalizando R$ 1,04 bilhão.

EBITDA em queda e pressão sobre fluxo de caixa

Apesar do avanço nos resultados líquidos, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) apresentou crescimento modesto de 2,7%, atingindo R$ 230,9 milhões, com margem encolhendo de 14,5% para 12,9%. A gestão da SBF atribuiu a redução à elevação dos estoques, necessária para atender à demanda da Copa do Mundo, e ao pagamento de fornecedores referentes às compras realizadas no quarto trimestre de 2025, período marcado por vendas sazonais. Além disso, o contas a receber foi impactado pelo alongamento do prazo médio de recebimento, pressionando ainda mais o fluxo de caixa.

Dívida líquida dispara 141,6% e alavancagem atinge patamar histórico

O consumo de caixa operacional registrou queda brusca de R$ 334,3 milhões no 1º trimestre de 2026, ante uma queima de apenas R$ 15,2 milhões no mesmo período de 2025, um aumento de 2.100%. Esse movimento refletiu diretamente na estrutura de capital da empresa, cuja dívida líquida totalizou R$ 1,1 bilhão, alta de 141,6% em termos anuais. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos 12 meses, saltou de 0,61 vez para 1,59 vez, patamar considerado elevado para os padrões do setor varejista esportivo.

Preparação para a Copa do Mundo como fator determinante

Analistas do mercado destacam que a estratégia agressiva de estoque da SBF está diretamente ligada à expectativa de vendas durante a Copa do Mundo de 2026, evento que deve impulsionar o consumo de produtos esportivos no Brasil. No entanto, a decisão de aumentar os níveis de inventário gerou um efeito colateral imediato: o aumento do capital de giro imobilizado e a necessidade de recursos para financiar compras junto a fornecedores. “A empresa optou por um trade-off entre liquidez e crescimento, priorizando a captura de demanda em um momento-chave”, avalia um especialista em varejo ouvido pela ClickNews, sob condição de anonimato.

Perspectivas e riscos para os acionistas

Para os acionistas, o desafio agora é equilibrar a expansão comercial com a saúde financeira. Enquanto a Centauro mantém sua liderança no segmento de varejo esportivo, a Fisia — especializada em soluções logísticas — tem demonstrado crescimento acima da média do grupo. Contudo, a elevação da alavancagem e o consumo acelerado de caixa exigirão atenção redobrada da gestão. “O mercado deve monitorar de perto a capacidade da SBF de converter estoques em vendas durante a Copa, especialmente em um cenário macroeconômico ainda instável”, observa um analista de investimentos.

Contexto histórico e posição competitiva

Fundado em 1981 como uma pequena loja de artigos esportivos em Porto Alegre, o Grupo SBF expandiu-se nas últimas décadas por meio de aquisições estratégicas, consolidando-se como o maior player do setor no Brasil. A aquisição da Fisia, em 2020, diversificou suas operações para além do varejo, incorporando soluções logísticas para grandes eventos esportivos. No entanto, a dependência de eventos como a Copa do Mundo — que ocorrem em ciclos de quatro anos — expõe a empresa a flutuações sazonais significativas. “A SBF precisa diversificar suas fontes de receita para reduzir a volatilidade inerente ao setor”, conclui o especialista.

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