Da Alemanha ao Oriente Médio: o desafio de reinventar o modelo de negócio
No último dia 23 de julho de 2026, a Jah, rede de franquias brasileira com cerca de 200 lojas no país, anunciou a abertura de sua primeira unidade na Europa, em Düsseldorf (Alemanha), após dois anos de negociações lideradas por um empresário local. A estratégia, que consumiu mais de R$ 1 milhão em capital próprio e mantém um aporte mensal de R$ 100 mil, já gera entre €25 mil e €30 mil por mês nas operações internacionais. O caso ilustra um fenômeno crescente entre pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras: a internacionalização deixou de ser exclusividade de multinacionais, exigindo não apenas recursos financeiros, mas uma reinvenção constante dos processos para atender às particularidades de cada mercado.
CleanNew e PG Consulting: consultoria e serviços como pontes para o exterior
Enquanto a Jah apostou no modelo de franquias, duas outras empresas brasileiras — a CleanNew, especializada em limpeza industrial, e a PG Consulting, de consultoria empresarial — optaram por vias distintas para ampliar suas atuações internacionais. A CleanNew, que já atende clientes globais com demandas de padronização, estruturou parcerias estratégicas para replicar seu modelo de gestão em países do Oriente Médio, onde a exigência por qualidade em serviços de limpeza é crescente. Já a PG Consulting, que presta serviços de reestruturação organizacional, identificou uma demanda reprimida em nações africanas e europeias por expertise em gestão adaptada a realidades econômicas instáveis, expandindo sua atuação com escritórios temporários e consultores locais. Em ambos os casos, o sucesso dependeu de uma combinação de diferenciais competitivos — como know-how técnico ou metodologias proprietárias — e da capacidade de se inserir em ecossistemas empresariais estrangeiros sem perder a essência do modelo brasileiro.
Lições de uma expansão não linear: o que as PMEs brasileiras aprendem no caminho
A trajetória dessas empresas revela que cruzar fronteiras vai além da simples tradução de contratos ou da abertura de escritórios. Requer, por exemplo, a adaptação de produtos ou serviços a regulamentações locais — como ocorreu com a Jah, que ajustou sua linha de produtos às preferências europeias de consumo, ou a CleanNew, que adequou seus protocolos de limpeza a normas sanitárias mais rígidas no Oriente Médio. Além disso, o investimento contínuo e a paciência para construir relações de confiança com parceiros e clientes estrangeiros emergem como fatores críticos. Para empresas como a PG Consulting, a internacionalização também expôs a necessidade de formar equipes multiculturais, capazes de mediar entre a cultura corporativa brasileira e as expectativas dos mercados-alvo. Em comum, todas as três empresas destacam que o processo é cíclico: cada novo mercado exige uma nova curva de aprendizado, onde erros iniciais — como subestimar custos logísticos ou falhas na comunicação intercultural — servem como combustível para melhorias.
O futuro: entre oportunidades e riscos da globalização
Com a demanda por internacionalização impulsionada por clientes brasileiros já estabelecidos no exterior, o movimento tende a se intensificar nos próximos anos. No entanto, especialistas alertam que o ritmo deve ser cauteloso: a falta de conhecimento sobre barreiras não tarifárias, flutuações cambiais e instabilidades políticas em mercados emergentes representam riscos significativos. Para as PMEs brasileiras, a lição é clara: o sucesso no exterior não se resume a replicar o que funciona no Brasil, mas a construir soluções híbridas, onde a identidade nacional se combina com a flexibilidade necessária para navegar em territórios desconhecidos.




