O Festival de Cannes há tempos transcendeu sua origem como um evento puramente cinematográfico
Na edição de 2026, o tapete vermelho consolidou-se como um palco de projeção global para marcas de luxo, beleza e lifestyle, segundo análise de Luiza Souza, comentarista do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, durante sua participação no quadro Beleza S.A., ao vivo no programa Real Time.
A metamorfose de Cannes: do cinema ao império do glamour
Desde a sua fundação, o Festival de Cannes sempre foi sinônimo de sofisticação. No entanto, nas últimas edições, a presença de marcas como Chopard e Campari — que convidaram influenciadoras brasileiras para compor suas delegações — sinaliza uma nova era: a de um espetáculo midiático onde a beleza e o luxo são protagonistas. Souza destacou que, hoje, Cannes funciona como um laboratório de tendências, onde a moda, a beleza e o posicionamento de prestígio se entrelaçam em uma estratégia de comunicação integrada.
“Existe uma grande triangulação entre beleza, moda e marcas dentro de Cannes”, afirmou a comentarista. “As empresas não estão apenas patrocinando celebridades; elas estão construindo narrativas de luxo que extrapolam o evento e reverberam em todo o mundo.” Entre as brasileiras presentes, nomes como Adriana Lima, Isabel Goulart e Thaila Ayala foram destacadas por suas aparições estratégicas, alinhadas a marcas internacionais.
O Old Hollywood volta com força: penteados esculturais e elegância atemporal
A estética do festival em 2026 marcou uma ruptura com os padrões mais despojados dos últimos anos. Enquanto as edições anteriores foram dominadas por tendências como o messy girl e looks mais naturais, este ano presenciou o retorno triunfal do glamour clássico, com referências explícitas ao cinema americano dos anos 1950 e 1960.
Luiza Souza pontuou que os penteados estruturados, os coques polidos e as ondas marcadas — como o visual de Maria Braz, produzido pelo hairstylist Leone — foram os grandes destaques. “Vi muitos cabelos esculturais, penteados extremamente clássicos e referências ao Old Hollywood”, explicou. “Não é apenas uma questão de estilo; é uma declaração de intenção: Cannes 2026 optou pela tradição em vez da experimentação efêmera.”
Por que o clássico venceu o caos estético?
A escolha pelo glamour tradicional não é aleatória. Segundo Souza, o festival mantém uma identidade visual mais sóbria e sofisticada em comparação a outros eventos internacionais, como a Met Gala ou a São Paulo Fashion Week. Enquanto estes últimos apostam em excentricidades e rupturas radicais, Cannes mantém um compromisso com a elegância duradoura.
“Cannes não vai atrás de fashionismos”, afirmou. “Ele vai para a tradição, para o glamour clássico. É um festival que valoriza o tempo, a história e a construção de uma imagem perene.” Essa postura, segundo a analista, atende a um público que busca não apenas tendências passageiras, mas referências que resistam ao tempo — tanto no cinema quanto na moda.
O papel das marcas: estratégia ou mero patrocínio?
A presença massiva de marcas no tapete vermelho levanta uma questão central: até que ponto a participação de celebridades e influenciadoras é uma estratégia de comunicação ou apenas um investimento em visibilidade? Para Souza, a resposta está em como as empresas integram essas parcerias a campanhas mais amplas.
“Quando uma marca como a Chopard convida uma influenciadora brasileira, não é apenas para que ela brilhe no tapete vermelho”, explicou. “É para associar seu nome a um evento de prestígio global, criar conteúdo exclusivo e, acima de tudo, reforçar uma narrativa de luxo que transcende fronteiras.” Nesse contexto, Cannes se tornou um palco de validação — onde marcas, celebridades e mídia convergem para criar um ecossistema de influência mútua.
Os números reforçam essa tese: segundo dados do Times Brasil, as postagens relacionadas ao festival geraram mais de 2,5 milhões de interações nas redes sociais brasileiras apenas na primeira semana, com destaque para os looks das convidadas e os bastidores das marcas.
O futuro de Cannes: entre a tradição e a inovação
Embora o glamour clássico tenha dominado 2026, a pergunta que fica é: até quando essa tendência se manterá? Para Luiza Souza, o equilíbrio será a chave. “Cannes sempre soube se reinventar, mas sem perder sua essência”, afirmou. “O festival consegue ser ao mesmo tempo uma vitrine de luxo e um espaço de discussão cultural — e é justamente essa dualidade que o torna único.”
Ainda segundo ela, a próxima edição poderá trazer uma mistura de classicismo e inovação, com marcas experimentando novas linguagens dentro do universo tradicional. “O que vimos este ano foi um retorno às origens, mas com um toque contemporâneo. Cannes não para; ele evolui.”




