Especialistas alertam que gesto pode expor impressões digitais a hackers
Risco nas redes sociais
Imagens aparentemente inofensivas, como o gesto de paz e amor com dois dedos em “V”, podem revelar dados biométricos sensíveis. Ferramentas de inteligência artificial são capazes de ampliar fotografias e destacar as linhas das impressões digitais, permitindo que criminosos digitais utilizem essas informações para acessar dispositivos e contas protegidas por autenticação biométrica.
Durante um programa de TV na China, a especialista Li Chang demonstrou como obteve dados biométricos a partir de selfies de uma celebridade. Segundo ela, fotos tiradas a uma distância de 1,5 a 3 metros já podem fornecer detalhes suficientes para análise criminosa. “Em imagens nítidas, bem iluminadas e registradas de frente, o risco aumenta significativamente”, explicou.
Casos já registrados
O risco não é apenas teórico. Em 2014, o hacker alemão Jan Krissler conseguiu replicar a impressão digital da atual presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, usando apenas imagens públicas de uma coletiva de imprensa. Mais recentemente, em 2025, um homem em Hangzhou, na China, teve suas digitais copiadas após publicar uma foto online, segundo o South China Morning Post.
Controvérsias e limitações
Apesar das demonstrações, especialistas ponderam que esse tipo de ataque ainda é direcionado e não representa ameaça generalizada. Jake Moore, consultor global de cibersegurança da ESET, afirmou ao Daily Mail: “Isso não é algo com que o público em geral deva se preocupar neste momento”. Ele destacou que reproduzir uma impressão digital exige imagens em altíssima resolução, bem iluminadas e com exposição clara das mãos, o que limita a prática a alvos específicos com acesso a informações sensíveis ou ativos de alto valor.
Tendências que ampliam riscos
Mesmo assim, novas práticas digitais podem aumentar a exposição. Usuários que enviam fotos em alta resolução das palmas das mãos para plataformas de inteligência artificial em busca de leituras de “quiromancia digital” — tendência popular no TikTok — podem estar fornecendo dados biométricos detalhados. Moore alerta que imagens enviadas diretamente a ferramentas de IA preservam muito mais detalhes do que aquelas comprimidas por redes sociais, ampliando o potencial de coleta e armazenamento dessas informações.




