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Defensivos para milho verão atingem R$ 2,9 bilhões na safra 2025/26 com expansão de 21%

Redação
13 de maio de 2026 às 15:25
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Defensivos para milho verão atingem R$ 2,9 bilhões na safra 2025/26 com expansão de 21%

Foto: Redação Central

Expansão do mercado de defensivos agrícolas

A safra 2025/26 do milho verão registrou crescimento de 21% no mercado de defensivos agrícolas, alcançando a marca de R$ 2,9 bilhões, conforme dados da Kynetec Brasil. O estudo, baseado em entrevistas com quase 2 mil produtores rurais, aponta que o avanço foi impulsionado tanto pela ampliação da área cultivada quanto pelo incremento na intensidade de tratamentos aplicados nas lavouras.

Segundo a pesquisa, a área destinada ao milho verão atingiu 3,9 milhões de hectares, representando um crescimento de 9% em relação à safra anterior. Paralelamente, o número médio de aplicações de defensivos nas propriedades aumentou de 17 para 18 tratamentos, um acréscimo de 6%. Esses fatores combinados refletem não apenas a expansão quantitativa da cultura, mas também a adoção de práticas agrícolas mais intensivas, visando maximizar a produtividade e mitigar riscos fitossanitários.

Distribuição por categorias de produtos

A análise da Kynetec Brasil revela a seguinte distribuição do mercado por categorias de defensivos na safra 2025/26:

  • Herbicidas: Principal segmento, com 31% de participação, equivalente a R$ 900 milhões;
  • Inseticidas: Responsáveis por 28% do total, somando R$ 826 milhões;
  • Fungicidas: Representam 20% do mercado, totalizando R$ 580 milhões;
  • Outros insumos: Incluem tratamentos de sementes (14%), nematicidas (3%) e outros produtos (4%), que juntos somam R$ 594 milhões.

O crescimento mais expressivo, entretanto, foi observado na categoria de fungicidas, cuja taxa de utilização nas lavouras de milho subiu de 67% na safra 2019/20 para 75% na atual. Em áreas destinadas à silagem, o uso desse tipo de defensivo mais que dobrou, passando de 24% para 52% no mesmo período. Essa tendência reflete a crescente preocupação dos produtores com doenças fúngicas, como a ferrugem, que podem comprometer significativamente a produtividade.

Mudanças no perfil de uso de fungicidas

O levantamento da Kynetec Brasil identificou uma transformação no perfil de uso de fungicidas ao longo dos últimos sete anos. Os produtos classificados como “stroby mix”, que até então dominavam o mercado, reduziram sua participação de 52% para 30% da área tratada entre as safras 2019/20 e 2025/26. Em contrapartida, os fungicidas do tipo “premium” ganharam terreno, passando a representar 38% da área tratada na safra atual.

Esse deslocamento pode ser atribuído a diversos fatores, incluindo o desenvolvimento de novos ativos com maior eficácia e menor risco de resistência, além da crescente demanda por produtos com perfis toxicológicos mais favoráveis e menor impacto ambiental. A adoção de tecnologias como a agricultura de precisão também tem contribuído para otimizar o uso de fungicidas, permitindo aplicações mais estratégicas e reduzindo desperdícios.

Impacto regional e perspectivas

A pesquisa da Kynetec Brasil abrangeu produtores de sete das principais regiões produtoras de milho do país: Goiás, Matopiba (Maranhão, Piauí e Bahia), Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Embora todas as regiões tenham registrado crescimento no mercado de defensivos, o Matopiba destacou-se como uma das áreas de maior expansão, impulsionada tanto pelo aumento da área plantada quanto pela intensificação dos sistemas de cultivo.

Para a safra 2026/27, especialistas do setor projetam que o mercado de defensivos para o milho verão deve manter um ritmo de crescimento moderado, ainda que influenciável por variáveis como condições climáticas, preços de commodities e políticas públicas. A adoção de tecnologias inovadoras, como bioinsumos e sistemas integrados de manejo, tende a moldar o futuro do setor, equilibrando produtividade e sustentabilidade.

Contexto histórico e desdobramentos

O uso de defensivos agrícolas no Brasil ganhou impulso a partir dos anos 1970, com a adoção de tecnologias importadas e o desenvolvimento de uma indústria nacional especializada. Desde então, o setor passou por transformações significativas, impulsionadas pela necessidade de aumentar a produtividade em um contexto de crescente demanda global por alimentos. A cultura do milho, em particular, tem sido um dos principais vetores dessa expansão, especialmente nas últimas décadas, com a consolidação do país como um dos maiores produtores mundiais.

Nos últimos anos, entretanto, o setor tem enfrentado desafios crescentes, como a pressão por práticas agrícolas mais sustentáveis, a resistência de pragas e doenças, e a volatilidade dos preços internacionais. A adoção de tecnologias como a agricultura de precisão, o uso de bioinsumos e o manejo integrado de pragas tem sido apontadas como caminhos para enfrentar esses desafios, sem comprometer a produtividade.

Considerações finais

O crescimento de 21% no mercado de defensivos para o milho verão na safra 2025/26 reflete não apenas a expansão da área cultivada, mas também a adoção de práticas agrícolas mais intensivas e tecnológicas. A distribuição dos recursos por categorias de produtos, com destaque para herbicidas e fungicidas premium, evidencia uma tendência de especialização e profissionalização do setor. Além disso, as mudanças no perfil de uso de fungicidas sinalizam uma busca por soluções mais eficazes e sustentáveis, alinhadas às demandas do mercado e às exigências regulatórias.

À medida que o setor avança, é fundamental que produtores, indústrias e instituições de pesquisa trabalhem em conjunto para desenvolver e disseminar tecnologias inovadoras, capazes de garantir a produtividade sem comprometer a sustentabilidade ambiental e social. Nesse contexto, o mercado de defensivos agrícolas para o milho verão deve continuar desempenhando um papel crucial na agricultura brasileira, contribuindo para a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico do país.

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