Vítimas são forçadas a cometer crimes em centros controlados por criminosos
Alerta é divulgado no Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas
Organizações criminosas internacionais têm ampliado o uso do tráfico de seres humanos como forma de sustentar esquemas de fraudes praticados pela internet, submetendo centenas de milhares de vítimas à participação forçada em diversas atividades ilícitas, sob ameaça de coação. O alerta partiu da Organização Internacional para as Migrações (OIM), por ocasião do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, celebrado nesta quinta-feira, 30 de julho, sob o tema “Presos por detrás do esquema”.
Secretário-geral da ONU pede resposta coordenada
Em mensagem divulgada para marcar a data, António Guterres reforçou que o tráfico de pessoas representa uma violação grave dos direitos humanos. O secretário-geral das Nações Unidas fez um apelo direto à construção de uma resposta conjunta entre os países, capaz de identificar as redes criminosas envolvidas nesse tipo de exploração e interromper suas fontes de financiamento.
Exploração para fins criminais cresce de forma acelerada
Segundo dados do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (Unodc), a modalidade de tráfico voltada à exploração para fins criminosos teve um salto expressivo nos últimos anos: em 2016, esse tipo de exploração representava apenas 1% das vítimas identificadas em todo o mundo, percentual que avançou para 8% em 2022.
Ainda de acordo com o levantamento referente a 2022, foram registradas vítimas de 162 nacionalidades diferentes traficadas para 128 países. Os dados também revelam que aproximadamente 70% das pessoas investigadas, indiciadas ou condenadas por crimes de tráfico eram homens.
Africanos formam o grupo mais atingido pelo tráfico
Entre as vítimas identificadas globalmente, a população africana aparece como o grupo mais afetado por esse tipo de crime, respondendo por 31% dos fluxos de tráfico transfronteiriço registrados, conforme apontam os dados divulgados pela ONU.
Recrutamento acontece majoritariamente na internet
O tráfico voltado à criminalidade forçada ocorre quando indivíduos são explorados e coagidos a cometer delitos em benefício direto de organizações criminosas, geralmente por meio de engano, ameaças ou coerção.
Na maior parte dos casos, o processo de aliciamento tem início em plataformas digitais. Anúncios de emprego fraudulentos costumam mirar pessoas com domínio de múltiplos idiomas, habilidades tecnológicas e familiaridade com redes sociais.
Vítimas são obrigadas a praticar diversos delitos
As fraudes financeiras não representam o único tipo de crime imposto às vítimas dessas redes. Muitas são forçadas também a participar de furtos, tráfico de drogas, golpes financeiros e outros esquemas praticados via internet. Segundo estimativas da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), mais de 300 mil pessoas encontram-se atualmente confinadas em centros administrados por essas organizações criminosas.
OIM defende proteção das vítimas como prioridade
Diante da expansão geográfica desse tipo de crime, a OIM tem intensificado seus apelos voltados à prevenção, à proteção das vítimas, à cooperação entre países e ao fortalecimento de parcerias internacionais destinadas a desarticular redes de tráfico de pessoas.
Neste mesmo ano, a agência apresentou sua nova Estratégia Regional de Resposta ao Tráfico de Pessoas para Criminalidade Forçada na Ásia e no Pacífico, com vigência prevista entre 2026 e 2030. O documento estabelece diretrizes voltadas à proteção das vítimas, ao fortalecimento da cooperação transfronteiriça e à consolidação de parcerias para o desmantelamento de redes criminosas.
Por ocasião do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas de 2026, a OIM reforça um ponto central de sua atuação: pessoas coagidas a cometer crimes dentro de centros de golpes devem ser reconhecidas como vítimas de tráfico humano — e, portanto, protegidas como tal.




