O cenário geopolítico reconfigurou as expectativas do mercado de commodities na última quarta-feira (15/07/2026). O preço do barril de petróleo superou a barreira de US$ 80 pela primeira vez desde janeiro de 2026, refletindo a incerteza gerada pela retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã. A escalada do conflito, aliada à imprevisibilidade das decisões políticas de Donald Trump, ampliou o receio de um novo choque energético global.
A volatilidade como nova regra do mercado
Adriano Pires, economista e sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), destacou em entrevista exclusiva ao Times Brasil — licenciada pela CNBC — que o mercado opera em um estado de alta volatilidade, sem direção clara. “O cenário permanece extremamente volátil”, afirmou Pires, citando a reação imediata dos preços a cada nova sinalização do governo norte-americano. Ele lembrou o episódio da proposta de uma taxa de 20% sobre embarcações no Estreito de Ormuz, medida que, embora descartada, chegou a impulsionar temporariamente as cotações do petróleo para perto de US$ 90.
Decisões políticas sob holofotes
O executivo do CBIE comparou a postura de Trump a um “ciclo de inconstância”, onde mudanças bruscas na retórica governamental geram reações imediatas e contraditórias no mercado. “O presidente Trump dorme de um jeito e acorda de outro. Quando falou na cobrança de 20%, o petróleo quase voltou para US$ 90. Depois, recuou quando a proposta foi retirada”, explicou Pires. Para ele, a falta de uma política energética estável nos EUA — combinada com as ações do Irã no Golfo Pérsico — cria um ambiente propício a flutuações abruptas nos preços.
Risco inflacionário e impacto econômico
Além das tensões geopolíticas, Pires alertou que o patamar atual do petróleo pode reacender pressões inflacionárias globais, especialmente em economias dependentes de energia. “Quando o barril ultrapassa US$ 80, o custo da energia se espalha pela cadeia produtiva, afetando desde a indústria até o bolso do consumidor final”, analisou. A incerteza também ameaça o crescimento econômico, uma vez que empresas e governos hesitam em investir em um contexto de preços voláteis e riscos geopolíticos.




