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Ranking das profissões com maior número de acidentes de trabalho e mortes no Brasil

João
2 de maio de 2026 às 08:15
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Ranking das profissões com maior número de acidentes de trabalho e mortes no Brasil
Divulgação / Imagem Automática

País registra recorde em óbitos e acidentes em 2025; transporte de cargas e construção civil concentram maior letalidade

 

O Brasil encerrou 2025 com os maiores índices de acidentes de trabalho e mortes da última década. Foram 806.011 ocorrências e 3.644 óbitos, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), compilados a partir das Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) registradas no INSS e no eSocial. No período de 2016 a 2025, o total acumulado chega a 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes.

Crescimento após a pandemia

Após a queda registrada em 2020, ano marcado pela pandemia e retração econômica, os números voltaram a subir de forma consistente. Entre 2020 e 2025, os acidentes cresceram 65,8% e os óbitos 60,8%. O avanço do emprego formal explica parte da alta, mas os dados revelam que a expansão não foi acompanhada por melhorias proporcionais em segurança.

No período, os trabalhadores perderam mais de 106 milhões de dias de trabalho. Já os chamados “dias debitados” – que refletem o impacto permanente de lesões graves e mortes – somaram 248,8 milhões.

Setores com mais acidentes

  • Atendimento hospitalar: 500.032
  • Supermercados: 204.277
  • Administração pública: 177.078
  • Transporte rodoviário de carga (intermunicipal e interestadual): 143.367
  • Pronto-socorro e urgências: 133.446
  • Construção de edifícios: 122.455

O setor de saúde lidera em volume, com quase 633 mil acidentes em hospitais e prontos-socorros. A construção civil, embora apareça em sexto lugar em número de ocorrências, apresenta letalidade muito superior. Veja aqui a íntegra do estudo.

Setores com mais mortes

  • Transporte rodoviário de carga (intermunicipal e interestadual): 2.601 óbitos
  • Construção de edifícios: 820 óbitos
  • Administração pública: 596 óbitos
  • Vigilância e segurança privada: 467 óbitos
  • Transporte rodoviário de carga municipal: 328 óbitos
  • Transporte de produtos perigosos: 282 óbitos

O transporte de cargas intermunicipal e interestadual concentra 2.601 mortes em dez anos, mais que o triplo da construção civil. Já o transporte de produtos perigosos apresenta a maior taxa de letalidade: 880 mortes por mil acidentes.

“Os números mostram que o país tem ampliado a capacidade de registrar e compreender os acidentes e reforçam a necessidade de aprimorar continuamente as condições de trabalho e fortalecer a prevenção”, afirma Alexandre Scarpelli, diretor de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE.

Ocupações mais afetadas

  • Motorista de caminhão: 4.249 óbitos
  • Alimentador de linha de produção: 778 óbitos
  • Servente de obras: 741 óbitos
  • Vigilante: 551 óbitos
  • Motoboy: 427 óbitos
  • Faxineiro: 419 óbitos

Os motoristas de caminhão concentram mais de uma morte por dia na última década, número 5,5 vezes maior que o da segunda ocupação no ranking. Já entre os que mais sofrem acidentes não fatais, o destaque é o técnico de enfermagem, com 372.092 ocorrências.

Diferenças regionais

  • São Paulo: 2.219.859 acidentes | 6.517 óbitos
  • Mato Grosso: 134.549 acidentes | 1.257 óbitos
  • Tocantins: letalidade de 10,91/1.000
  • Maranhão: letalidade de 8,55/1.000

São Paulo concentra 34,4% dos acidentes e 23,7% das mortes, reflexo da força de trabalho formal. Já estados como Tocantins, Mato Grosso e Maranhão apresentam taxas de letalidade elevadas, associadas a atividades como agronegócio e transporte de commodities.

Mudanças no perfil dos acidentes

O levantamento mostra ainda que a participação feminina cresceu 48%, chegando a 293.204 casos em 2025, especialmente nos setores de saúde e serviços. Os acidentes de trajeto também ganharam maior relevância ao longo da década.

 

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