UE assume compromisso com industrialização do setor mineral brasileiro
Nesta terça-feira (23), durante o II Fórum de Investimentos UE-Brasil: Acordo de Parceria UE-Mercosul, o comissário europeu Jozef Síkela explicitou o interesse da União Europeia em transcender a relação extrativista com o Brasil. Em vez de limitar-se à importação de matérias-primas, o bloco propõe investimentos em processamento local, refinamento e capacitação técnica, visando a construção de uma cadeia de valor integral no setor mineral brasileiro.
Diferencial europeu: da extração ao refinamento local
Síkela contrastou a abordagem europeia com a de outros atores globais, destacando que a UE não apenas busca garantir o fornecimento de minerais críticos, mas também promove o desenvolvimento de capacidades industriais no país-sede da produção. “Nós investimos também em processamento local, refinamento. Compartilhamos tecnologia e treinamento de pessoal”, afirmou o comissário. A estratégia alinha-se ao contexto geopolítico atual, onde minerais como lítio, cobre e terras-raras tornam-se essenciais para a transição energética e segurança tecnológica.
Implicações para o Brasil e o Acordo UE-Mercosul
A proposta europeia assume relevância em meio às negociações em andamento para o Acordo de Parceria UE-Mercosul, cujo texto final ainda enfrenta resistências no Parlamento Europeu. A iniciativa de Síkela pode servir como argumento adicional para os defensores do acordo, apresentando benefícios concretos além do acesso a mercados agrícolas. Para o Brasil, a parceria representa uma oportunidade de diversificar parceiros comerciais e agregar valor à sua produção mineral, atualmente concentrada em commodities brutas.
Contexto global: China ainda domina cadeia de minerais críticos
A iniciativa europeia surge em paralelo a esforços recentes dos EUA e da UE para reduzir a dependência da China na cadeia de suprimentos de minerais críticos. Em maio de 2026, os dois blocos anunciaram um acordo de cooperação para desenvolver projetos de mineração e processamento fora da jurisdição chinesa. No entanto, a UE sinaliza que o Brasil poderia tornar-se um parceiro-chave nesse rearranjo, dada a abundância de recursos estratégicos no território nacional.
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