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Intoxicação por água-viva – Saiba os riscos e as medidas corretas de primeiros socorros

Redação
7 de maio de 2026 às 02:56
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Intoxicação por água-viva – Saiba os riscos e as medidas corretas de primeiros socorros
Divulgação / ClickNews

A exposição a águas-vivas representa um dos principais riscos à saúde durante períodos de lazer em praias brasileiras, especialmente nos meses de maior incidência desses animais, como o verão. Segundo especialistas, a queimadura provocada por cnidários — estrutura urticante presente nos tentáculos — pode resultar em lesões dolorosas e, em casos extremos, complicações sistêmicas. Dados do Ministério da Saúde indicam um aumento de 15% nas ocorrências registradas nas regiões costeiras nos últimos cinco anos, o que reforça a necessidade de conscientização sobre os procedimentos adequados de primeiros socorros.

Os riscos associados ao contato com águas-vivas

As queimaduras por águas-vivas são caracterizadas por dor intensa, vermelhidão, inchaço e, em algumas situações, reações alérgicas graves. O dermatologista Gustavo Saczk, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, alerta que a utilização de métodos inadequados, como aplicação de álcool, pasta de dente ou urina, pode agravar o quadro clínico. “Essas substâncias promovem a liberação de toxinas residuais, intensificando a lesão e retardando o processo de cicatrização”, afirmou o especialista em entrevista exclusiva.

Além dos danos locais, há registros de casos em que a intoxicação evoluiu para choque anafilático, especialmente em indivíduos com histórico de alergias. A remoção imediata de fragmentos de tentáculos aderidos à pele é crucial para minimizar a exposição ao veneno, conforme recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Procedimentos recomendados e mitos a serem evitados

O protocolo internacional para o atendimento de vítimas de queimaduras por águas-vivas prioriza a utilização de vinagre (ácido acético a 5%) como medida inicial. “O vinagre neutraliza o veneno residual e reduz a dor de forma significativa”, destacou Saczk. A aplicação deve ser feita por até 30 segundos, seguida da lavagem com água do mar — nunca com água doce, pois esta pode romper as células urticantes restantes na pele.

Outras recomendações incluem a imobilização da área afetada e a aplicação de compressas frias para aliviar a dor. A automedicação com anti-inflamatórios ou analgésicos deve ser evitada sem orientação médica. Em casos de reação sistêmica, como dificuldade respiratória ou tonturas, o paciente deve ser encaminhado imediatamente a um serviço de emergência.

Fatores ambientais e prevenção de novos incidentes

A incidência de águas-vivas nas praias brasileiras está diretamente relacionada a fatores climáticos e oceanográficos. Períodos de ventos do Nordeste e Leste, associados ao aumento da temperatura da água, favorecem a aproximação desses animais das zonas costeiras. Tal cenário é recorrente durante o verão, quando a reprodução das espécies atinge seu pico.

Para prevenir acidentes, especialistas sugerem a utilização de roupas de proteção, como camisas de manga comprida e calças leves, além da observação de placas de alerta nas praias. “A prevenção é a melhor estratégia. Evitar nadar em áreas com presença de águas-vivas e buscar informações junto aos salva-vidas pode reduzir significativamente os riscos”, afirmou Saczk. Em 2023, a Secretaria de Saúde da Bahia registrou um aumento de 22% nos atendimentos por queimaduras marinhas em comparação ao ano anterior, o que reforça a importância de medidas preventivas.

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