O último voo de Liz e Adriana
Às 4h30 da manhã de 9 de agosto de 2024, Adriana Ibba acordou para amamentar Liz, de 3 anos. Naquele dia, a rotina se despedaçaria. Mãe e filha embarcaram no voo 2283 da Voepass, com destino a Florianópolis, para comemorar o Dia dos Pais. Liz, a mais nova das 62 vítimas, puxava a fila de embarque com os cabelos balançando, imagem registrada pelas câmeras do aeroporto de Cascavel (PR).
Um luto que não finda
Dois anos após a queda do avião em Vinhedo (SP), Adriana ainda revive os minutos que antecederam o acidente. A cada 9 de agosto, o calendário se torna um espelho de ausência. A criança, que despertava a mãe com seu choro, agora só existe em memórias e registros fotográficos guardados pela jornalista. O relógio biológico de Adriana, treinado para acordar em horários específicos, segue soando, mas não há mais Liz para atender.
Vinhedo, dois anos depois: um país sem respostas definitivas
A tragédia da Voepass, ocorrida em 9 de agosto de 2024, permanece como um dos maiores mistérios da aviação brasileira. Embora o relatório preliminar da CENIPA aponte para formação de gelo nas asas e falhas na pilotagem, as investigações ainda não concluíram se houve negligência ou erros sistêmicos. Enquanto isso, famílias como a de Adriana aguardam por justiça e por uma explicação que, dois anos depois, ainda parece distante.
O legado de uma criança que não teve tempo de crescer
Liz, com seus 3 anos incompletos, representava o futuro interrompido não apenas de sua família, mas de uma geração de crianças que jamais conhecerão a aviação com a mesma confiança de antes. Em um Brasil onde a segurança aérea é questionada após sucessivos acidentes, a ausência de Liz ecoa como um alerta para a necessidade de reformas urgentes no setor.




