O Brasil assumiu protagonismo inédito na disputa global por minerais críticos, insumos indispensáveis para tecnologias de transição energética, como baterias de veículos elétricos e sistemas de energia renovável
Segundo análise do coordenador da BMJ Consultoria, Vito Villar, a proposta da União Europeia de investir no processamento e refino desses materiais no território nacional representa uma oportunidade para agregar valor à produção brasileira e, simultaneamente, mitigar a dependência europeia em relação à cadeia controlada pela China.
A China mantém o controle sobre reservas e cadeia produtiva de minerais críticos
Em entrevista exclusiva ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, concedida nesta quinta-feira (25/06), Villar destacou que a China detém uma parcela significativa das reservas globais de minerais críticos, além de possuir a maior capacidade instalada de processamento desses insumos. “A China liderou a transição energética inicial, especialmente com a produção de veículos elétricos, e consolidou seu domínio sobre o processamento desses minerais nos últimos anos. Agora, boa parte dos países busca alternativas para romper esse monopólio, que se tornou um gargalo estratégico”, afirmou o consultor.
Corrida global por diversificação inclui EUA, Reino Unido e bloco europeu
A estratégia de reduzir a dependência chinesa não se limita à União Europeia. Villar explicou que Estados Unidos, Reino Unido e outras economias desenvolvidas também intensificam esforços para diversificar suas cadeias de suprimentos. Enquanto países africanos e latino-americanos, como o Brasil, despontam como alternativas viáveis, o consultor ressaltou que a viabilidade econômica do processamento local depende de investimentos em infraestrutura e políticas públicas coordenadas. “O Brasil tem potencial para se tornar um hub global de processamento, mas é necessário um arcabouço regulatório estável e parcerias público-privadas para viabilizar essa transição”, pontuou.
Implicações geopolíticas e econômicas para o Brasil
Para além dos benefícios comerciais, a posição brasileira nessa disputa carrega implicações geopolíticas relevantes. Ao se posicionar como fornecedor confiável de minerais críticos processados, o país poderia atrair investimentos estrangeiros diretos e fortalecer alianças com blocos econômicos interessados em reduzir a influência chinesa. No entanto, especialistas alertam que o aproveitamento desse cenário exige agilidade na implementação de políticas industriais e ambientais, além de investimentos em inovação para superar gargalos logísticos e tecnológicos.
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