A Europa registra, entre os dias 25 e 28 de junho de 2026, uma das ondas de calor mais severas de sua história recente, com termômetros batendo recordes em países como França, Espanha e Itália
Em Paris, a temperatura atingiu 41°C na última sexta-feira (27/06), superando o marco anterior de 39,5°C registrado em julho de 2019. No sul da Espanha, termômetros marcaram 44°C em Sevilha, enquanto na Itália, cidades como Roma e Milão enfrentaram alertas vermelhos por risco à saúde pública.
Rastro mortal: sistemas de saúde em colapso e populações vulneráveis asfixiadas
Os primeiros balanços oficiais já contabilizam ao menos 18 mortes diretamente relacionadas ao calor extremo, com idosos e trabalhadores expostos ao ar livre figurando entre as vítimas. Em Portugal, hospitais relataram um aumento de 30% nas internações por desidratação e insolação, enquanto na Alemanha, autoridades sanitárias alertaram para o risco de colapso em unidades de terapia intensiva. “Nunca vimos um calor tão precoce e intenso nesta época do ano”, declarou a diretora do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Dra. Margarida Liberato.
Economia em chamas: apagões, safras perdidas e prejuízos que se somam
O setor energético europeu, já pressionado pela transição verde, enfrenta agora um teste de fogo. Na França, a estatal EDF reportou uma queda de 15% na geração nuclear — principal fonte do país — devido à superaquecimento dos rios que resfriam as usinas, obrigando o governo a acionar termelétricas a carvão para evitar blecautes. Na Espanha, a produção de azeitona e uva, pilares da agricultura local, deve encolher entre 20% e 30%, com previsão de aumento no preço do azeite e do vinho. “É um efeito cascata: menos água para irrigação, mais custos com energia e, no final, o consumidor paga a conta”, analisa o economista espanhol Javier Díaz.
Fratura climática: Europa precisa acelerar adaptação ou sucumbir aos extremos
A crise expõe a vulnerabilidade de uma região que, apesar de líder em políticas climáticas, ainda não se preparou para eventos como este. Cidades como Barcelona e Milão implementaram protocolos emergenciais, como o fechamento de escolas e a distribuição de água potável em praças públicas, mas especialistas alertam que medidas pontuais não bastam. “A Europa precisa de um plano Marshall para adaptação urbana, com investimentos em telhados verdes, sistemas de refrigeração públicos e redes elétricas resilientes”, defende a climatologista alemã Claudia Kemfert. Enquanto isso, os termômetros seguem subindo, e a pergunta que fica é: quando o continente estará pronto para o próximo recorde?
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