Na manhã de domingo, 22 de junho de 2026, dois sismos consecutivos de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter sacudiram o norte da Venezuela, registrando-se como os mais intensos no país em mais de um século. Os epicentros, localizados próximos à costa de La Guaira, desencadearam uma crise humanitária de proporções ainda não totalmente dimensionadas.
O resgate que comoveu a América Latina
Às 14h07 (horário de Brasília) da última quarta-feira, 25 de junho, uma equipe de resgate venezuelana, apoiada por especialistas internacionais, localizou Graciela Mora, 34 anos, sob os escombros de um prédio comercial desabado no município de La Guaira. A sobrevivente foi retirada com vida após 126 horas (5 dias e 6 horas) sob os destroços, apresentando fraturas em um dedo, desidratação e sinais de trauma profundo.
Mora, que compartilhava o mesmo escritório com uma amiga quando o segundo tremor atingiu a região, relatou à Associated Press que manteve a mão da companheira morta durante todo o período em que esteve presa, recusando-se a soltá-la mesmo com a chegada dos socorristas. “Não queria que ela morresse sozinha”, declarou, em depoimento gravado em hospital improvisado. A amiga, identificada como María López, 31 anos, não resistiu ao colapso estrutural.
Balanço preliminar: 235 mortos e 4,3 mil feridos em cenário de calamidade
Segundo o Ministério de Gestão de Riscos da Venezuela, o total de vítimas fatais pode ultrapassar 300 nas próximas 48 horas, dado o número ainda elevado de desaparecidos — estima-se que cerca de 1.200 pessoas permaneçam soterradas em áreas de acesso limitado. A capital Caracas registrou colapsos parciais em 14 edifícios residenciais, enquanto a cidade de La Guaira, epicentro do desastre, teve 80% de sua infraestrutura danificada, incluindo o porto internacional e a rodovia que liga o país à Colômbia.
Efeitos em cadeia: crise energética e alerta de tsunami
Os tremores danificaram oleodutos e estações de tratamento de água, gerando cortes no fornecimento de energia em cinco estados venezuelanos. Além disso, o Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico emitiu um aviso para comunidades costeiras, após relatos de ondas anômalas de até 1,8 metro registradas em Puerto Cabello. Especialistas do USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) classificaram os abalos como parte de uma “sequência sísmica atípica”, potencialmente relacionada à zona de subducção do Caribe.
Até o fechamento desta reportagem, na sexta-feira, 26 de junho de 2026, às 08h02, o governo venezuelano mantinha 12 helicópteros em operação para transporte de vítimas e suprimentos, enquanto o presidente Nicolás Maduro anunciou a criação de um “gabinete de crise permanente”. A comunidade internacional, por sua vez, prometeu US$ 50 milhões em ajuda humanitária, mas analistas alertam para o risco de colapso logístico diante da instabilidade política no país.
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