A chancelaria iraniana desmentiu nesta terça-feira (23/06/2026) as afirmações do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, de que o país estaria disposto a readmitir inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já na próxima segunda-feira (22/06/2026). Segundo comunicado da Ministério das Relações Exteriores do Irã, ‘não houve novos compromissos’ assumidos sobre o tema, reafirmando a postura de não permitir acesso a sítios bombardeados por Israel e os EUA em 2025.
Conflito de narrativas entre Washington e Teerã
O impasse ganhou contornos ainda mais críticos após o presidente norte-americano, Donald Trump, postar em sua rede social que, ‘apesar das ‘protestações e declarações falsas’ do Irã’, o país teria ‘totalmente e completamente concordado’ com as inspeções. ‘Se não tivessem concordado, não haveria mais negociações!’, afirmou Trump, ameaçando interromper o diálogo em andamento.
Sanções temporárias e mediação em xeque
Em um movimento paralelo, os EUA anunciaram na segunda-feira (22/06/2026) a suspensão temporária de sanções, permitindo que o Irã comercialize petróleo em dólar — uma medida inédita em décadas. No entanto, mediadores como Qatar e Paquistão, que atuam como facilitadores nas negociações, ainda não divulgaram um comunicado conjunto sobre os avanços ou retrocessos do processo.
Risco de colapso e implicações regionais
Analistas ouvidos pela ClickNews alertam que a divergência entre as versões americana e iraniana pode levar ao colapso das tratativas, especialmente após o bombardeio de instalações nucleares em Natanz e Isfahan em 2025. ‘A falta de transparência por ambas as partes eleva o risco de uma escalada militar’, afirmou a pesquisadora Fatemeh Haghighatjoo, do Instituto de Estudos do Oriente Médio.
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