Um submundo de intimidações, monitoramentos ilegais e ciberataques acaba de ser desvendado pela Polícia Federal no caso Banco Master
A divisão de tarefas: o braço presencial e o poder cibernético
Em decisão judicial divulgada nesta quinta-feira (14), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a 6ª fase da Operação Compliance Zero, que desarticulou dois núcleos criminosos interligados: “A Turma” e “Os Meninos”. Segundo a PF, os grupos atuavam de forma complementar, mas com especializações distintas. “A Turma” era responsável por ações presenciais de intimidação, monitoramento ilegal de alvos e obtenção de dados sigilosos por meio de acessos indevidos a sistemas governamentais. Já “Os Meninos” operava como um núcleo hacker, especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento digital ilícito.
A investigação revela que a estrutura contava com a participação de policiais federais — tanto da ativa quanto aposentados — além de operadores do jogo do bicho e outros colaboradores recrutados para pressionar críticos e adversários do caso Banco Master. A coordenação entre os dois núcleos sugeriria uma cadeia de comando única, com objetivos convergentes.
Henrique Vorcaro: o grande articulador financeiro
O nome de Henrique Moura Vorcaro, pai do investigado Daniel Vorcaro, emerge como peça central na engrenagem criminosa. A PF o descreve como “demandante, beneficiário e operador financeiro” da estrutura, responsável por solicitar serviços, financiar atividades e manter contato constante com os integrantes do grupo — mesmo após as primeiras fases da Operação Compliance Zero.
Documentos da investigação citam uma mensagem atribuída a Vorcaro, na qual ele afirma: “no momento em que estou é que preciso de vocês”. Para os investigadores, a frase reforça a continuidade de sua relação com o grupo, além de indicar que suas demandas estavam diretamente ligadas às fases mais críticas da apuração.
Os registros também apontam repasses financeiros suspeitos. Conversas interceptadas mencionam valores de até R$ 400 mil em transferências e negociações envolvendo pagamentos de até R$ 800 mil para manter as atividades da estrutura. Tais valores, segundo a PF, seriam destinados à manutenção de operações de intimidação, monitoramento e ataques cibernéticos.
Marilson Roseno: o líder operacional do braço presencial
Além de Vorcaro, a Polícia Federal identifica Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, como líder operacional de “A Turma”. Sua atuação estaria diretamente ligada à coordenação das ações presenciais, incluindo ameaças, levantamentos clandestinos e obtenção ilegal de informações. A participação de agentes públicos no esquema acentua a gravidade das irregularidades, sugerindo uma possível corrupção dentro das forças de segurança.
A descoberta de “A Turma” e “Os Meninos” expõe não apenas a sofisticação da estrutura criminosa, mas também os riscos de uma rede paralela capaz de operar tanto no mundo físico quanto no digital. A intervenção da Justiça, com a autorização da 6ª fase da Operação Compliance Zero, marca um novo capítulo na investigação, mas o caso ainda suscita questões sobre a extensão dos danos causados e os responsáveis por financiar e comandar essas ações.




